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BRASIL, Sudeste, RIO DE JANEIRO, CAMPO GRANDE, Mulher, de 20 a 25 anos, Português, Espanhol, Arte e cultura, Música, Literatura
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Templates By Marina
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó principes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
"Ser poeta não é dizer grandes coisas, mas ter
uma voz reconhecível dentre todas as outras."
Mário Quintana
Os dias se arrastam... Tendem ao infinito
Meus lábios, sedentos, buscam sua boca.
Desejam seus beijos e seus cheiros, aflitos.
E quanto mais nua, mais tua, mais louca.
Sôfrega por sentir sua língua em meu umbigo
Tocar sua mão tocando meus seios
Entregar-me com gemidos em seus ouvidos
Mergulhada em luxúria e em devaneios
Sigo ainda passeando pela vida monótona
Desejando à noite, a extinção dos dias.
Ser apenas o furor que seu furor denota
Quero romper com gozo afoito essa agonia
De te querer tão perto, quando longe...
E findar a solidão que meu olhar esconde
Que angustia é essa que o peito consome
Quando sozinha te busco sem que estejas?
Que queima a alma e que peleja e te deseja
E que se cala, só sabendo chamar teu nome?
Maldita ânsia de saber tuas palavras
Quando calas, me privando do teu querer.
E então me sara quando à noite enfim resvala
Contra a dúvida sagrada de que vais me proteger
E sendo tua e tão tua que padeço
Quando penso, não mereço
Tanta dor, tanto pesar
E me ignoras ao me ouvir chorar baixinho
Sucumbindo, sem carinhos...
Pela dor de te amar
O principal poeta do modernismo brasileiro.
Mineiro de Itabira, lançou o primeiro livro em 1930, conhecido como Alguma Poesia.
Esse trecho de uma de suas biografias o traduz bem:
"o poema-piada e a descontração sintática pareceriam revelar o contrário. A dominante é a individualidade do autor, poeta da ordem e da consolidação, ainda que sempre, e fecundamente, contraditórias. Torturado pelo passado, assombrado com o futuro, ele se detém num presente dilacerado por este e por aquele, testemunha lúcida de si mesmo e do transcurso dos homens, de um ponto de vista melancólico e cético. Mas, enquanto ironiza os costumes e a sociedade, asperamente satírico em seu amargor e desencanto, entrega-se com empenho e requinte construtivo à comunicação estética desse modo de ser e estar."
Drummond nasceu em 31 de outubro de 1902 e morreu em 17 de agosto de 1987, aos 84 anos.
Resíduo
Carlos Drummond de Andrade
De tudo ficou um pouco.
Do meu medo. Do teu asco.
Dos gritos gagos. Da rosa
ficou um pouco.
Ficou um pouco de luz
captada no chapéu.
Nos olhos do rufião
de ternura ficou um pouco
(muito pouco).
Pouco ficou deste pó
de que teu branco sapato
se cobriu. Ficaram poucas
roupas, poucos véus rotos
pouco, pouco, muito pouco.
Mas de tudo fica um pouco.
Da ponte bombardeada,
de duas folhas de grama,
do maço
- vazio - de cigarros, ficou um pouco.
Mas de tudo fica um pouco.
Fica um pouco do teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.
Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
de ruga na vossa testa,
retrato.
Se de tudo fica um pouco,
mas por que não ficaria
um pouco de mim? no trem
que leva ao norte, no barco,
nos anúncios de jornal,
um pouco de mim em Londres,
um pouco de mim algures?
na consoante?
No poço?
Um pouco fica oscilando
na embocadura dos rios
e os peixes não o evitam.
um pouco: não está nos livros.
De tudo fica um pouco.
Não muito: de uma torneira
pinga esta gota absurda,
meio sal e meio álcool,
salta esta perna de rã,
este vidro de relógio
partido em mil esperanças,
este pescoço de cisne,
este segredo infantil...
De tudo ficou um pouco
de mim; de ti; de Abelardo.
Cabelo na minha manga,
de tudo ficou um pouco;
vento nas orelhas minhas,
simplório arroto, gemido
de víscera inconformada,
e minúsculos artefatos:
campânula, alvéolo, cápsula
de revólver... de aspirina.
De tudo ficou um pouco.
E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.
Mas de tudo, terrível, fica um pouco,
e sob as ondas ritmadas,
e sob as nuvens e os ventos,
e sob as pontes e sob os túneis
e sob as labaredas e sob o sarcasmo
e sob a gosma e sob o vômito
e sob o soluço, o cárcere, o esquecido
e sob os espetáculos e sob a morte de escarlate
e sob as bibliotecas, os asilos, as igrejas triunfantes
e sob tu mesmo e sob teus pés já duros
e sob os gonzos da família e da classe,
fica sempre um pouco de tudo.
Às vezes um botão. Às vezes um rato.
Em segundo lugar ficou Augusto dos Anjos que eu também amo de paixão!
Ele publicou apenas um livro, denominado "Eu", mas em sua obra não é difícil escolher uma poesia bem... interessante, digamos.
Augusto dos Anjos foi um dos principais autores do pré-modernismo, senão o principal. Sua maior característica era o pessimismo e, a utilização de termos científicos em suas poesias, eram constantes. É o patrono número 13 da ABL (não poderiam ter escolhido um número melhor para representá-lo)
O Pré-modernismo não chegou a ser uma escola literária, mas antes foi a convivência de várias escolas, onde a que mais se destacava era o parnasianismo, pela preocupação com a perfeição das formas - A predominância de sonetos é notória.
Augusto dos Anjos nasceu em 1884 e morreu em 1914, aos 29 anos.
Pra vocês curtirem Versos íntimos:
Versos íntimos
Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão – esta pantera –
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!
Em terceiro lugar, como já dito, ficou o Álvares de Azevedo, que eu amo de paixão.
Dele é um dos versos que eu mais digo, que é o fantasma:
"Sou o sonho de tua esperança;
Tua febre que nunca descança;
O delírio que te há de matar."
Separei esse poema entitulado Minha Desgraça.
Espero que gostem tanto quanto eu:
Minha desgraça
Minha desgraça, não, não é ser poeta,
Nem na terra de amor não ter um eco,
E meu anjo de Deus, o meu planeta
Tratar-me como trata-se um boneco....
Não é andar de cotovelos rotos,
Ter duro como pedra o travesseiro....
Eu sei.... O mundo é um lodaçal perdido
Cujo sol (quem mo dera!) é o dinheiro....
Minha desgraça, ó cândida donzela,
O que faz que o meu peito assim blasfema,
E' ter para escrever todo um poema,
E não ter um vintém para uma vela.
Álvares de Azevedo é o Patrono da cadeira número 2 da ABL
Fez parte da 2º geração romântica que era conhecida como mal do século ou Bayronismo.
Nasceu em 12 de setembro de 1931 e morreu em 25 de abril de 1952, ou seja, com 20 anos.
Morreu de tuberculose, agravada por uma queda de cavalo.
Se até os 20 anos ele fez tudo isso, imagine se tivesse vivido mais?!
Olá, galera!!!
Tô há muito tempo sem postar, né?
Tava meio enjoada de ficar entrando na internet... Como todo mortal, tenho minhas crises...
Mais que os demais, eu diria...
O resultado da enquete anterior foi:
Qual o maior poeta brasileiro de todos os tempos?
1º Lugar - Carlos Drummond de Andrade - 54%
2º Lugar - Augusto dos Anjos - 25%
3º Lugar - Álvares de Azevedo - 8%
4º Lugar - Outros - 8%
5º Lugar - Gonçalves Dias - 4%
6º Lugar - Manuel Bandeira - 0%
Espero que a enquete reflita a realidade, ao menos do público, mesmo porque eu acredito que arte não pode ser julgada, apenas apreciada, mas essa é apenas a minha opinião.
Como o Drummond ficou em primeiro lugar, o Augusto ficou em segundo e o Álvares ficou em terceiro, vou publicar aqui um poema de cada pra nos dar um gostinho especial, né?
Bem... a Nova enquete tá aí... Vamos falar um pouquinho de política, o que acham?
Adicionei duas novas ferramentas que é a busca de músicas, já que eu adoro música - Esse site é bom, vc consegue letras de músicas, traduções, um barato.
e a busca de do site... se vc se perder, é só digitar ali que te achamos, ok?
Obrigada pelas 1000 visitas!
Ah!! quase ia esquecendo de dizer!! O meu site tá no google! Chique, né?
eu consegui cadastrar! Agora se alguém procurar por Giselle Molon ou prosa e verso e similares, vão me achar nas buscas.
Beijos a todos e aguardem mais novidades!